sábado, 30 de março de 2013

Crescendo contra o relógio

Sempre tive uma curiosidade absurda pelo tempo e um atrito gigante com relógios. Quando mais novo, vivia aquela ansiedade (quase que diária) de que o tempo passasse logo e eu atingisse lá meus anos de maioridade. Quando a gente é criança, a gente pensa bastante sobre altura e sobre permissões. Ser adulto parece sempre deixar a infância para trás e ganhar credenciais e cartões de acesso. É na infância que a gente quer brincar de ser gente grande porque acha mais divertida a possibilidade de explorar o mundo do alto de pernas compridas.
E o passar do tempo tinha um gosto de conquistas para a gente. Com 12 anos, o primeiro título de “aborrecente” e o uso da caneta esferográfica nos trabalhos de escola. Era a imponência da juventude representada por um instrumento que não permitia mais falhas como os lápis permitiam (e as borrachas apagavam). Era a instrumentalização da condição de gente quase grande. Aos 15 anos, a troca do ensino fundamental pelo ensino médio e os primeiros porres da adolescência. É um passeio pela conquista da imprevisibilidade adolescente e pela rebeldia do contrassenso. Aos 18, finalmente, a maioridade e a dispensa voluntária de casa. A gente vive pra rua e para a vida universitária, como alguns. Outros já engatam o passaporte e a carteira de trabalho e caem no mercado profissional dos ternos e gravatas. E é aí que a gente percebe que o gosto do passar do tempo se tornou injusto.
Aquela necessidade desenfreada da criança em crescer e ver o relógio passando rápido se converte na agonia rotineira de quem precisa que as horas passem para acabar o expediente de trabalho e voltar para o aconchego da casa. As marcas na parede estacionaram em alguma altura boa o suficiente para comportar um corpo adulto e cheio de responsabilidades. Os desenhos na parede agora se tornaram vandalismo, caso tentemos reproduzi-los em algum outro lugar. Os papéis coloridos são faturas de cartões de crédito e contas de luz, água e internet que a gente precisa se virar para pagar. Morar longe de casa tem um gostinho de saudade que sobe na boca sempre que o telefone toca e são os pais com conselhos ultrapassados. E é quando você está numa dessas mudanças de emprego, se despedindo de pessoas e guardando porta-retratos é que cai a ficha: crescer dói.
A gente paga um preço por ter deixado o nosso lado pirralho para trás. Meio amargo, meio salgado. As notas variam entre valores altos e valores nostálgicos. A moeda de troca pela independência, seja ela voluntária ou empurrada, é descobrir que olhar o mundo do alto assusta. E que a queda pode ser brutal e pode machucar assim que a gente chegar no chão. A gente descobre que se acostumou a olhar pro alto e pra frente, mas perdeu o treino do que está por baixo. E não acha mais aquelas primeiras marcas na parede que falavam de infância. A gente descobre que a fixação em ser grande podia ter sido deixada de lado e a gente podia ter aproveitado um pouco mais quando os desenhos animados não falavam em despedidas e em decisões que teriam que mudar a nossa vida. No máximo, eu tinha que escolher entre um canal ou outro. Entre o Batman e o Super Homem. Entre caminhões ou carros velozes. No geral, crescer traz algumas boas recompensas que justificam as perdas e o coração apertado por ter que encarar o mundo aqui do alto. Ser pequeno tinha suas restrições, mas não doía. Crescer dói. E parece que cada centímetro a mais que o tempo empurra traz essa sensação de coração apertado. Porque pedir aconchego, quando se é grande, é considerado piegas. Porque pedir pra dormir na cama dos pais, quando se ocupa metade dela, é estranho. E mesmo com a certeza de que o caminho valeu a pena, eu fui dormir sozinho com o coração apertado e com a conclusão saudosista: crescer dói, sim. Mas a gente vai tratando os machucados e olhando sempre pro relógio, fingindo que é só de vez em quando que a gente espera que ele pare de avançar e dê meia volta.
 (AUTOR DESCONHECIDO )

quinta-feira, 28 de março de 2013

Passei horas e horas pensando, como começar este blog?!
Até que em uma conversa com a mulher da minha vida ( Minha mãe) ouvi sobre uma história, na verdade uma carta que um aluno mandou a uma professora. Então pensei, porque não começar assim ?!
Espero que a mesma atenção e mensagem que recebi, possa ser passada e transmitida a você.
Esta carta tem uma história emocionante, e sei que pode dar a motivação que recebi e levo comigo todos os dias.


Boa Leitura !


HISTÓRIA DA SRA. THOMPSON E TEDDY

Relata Sra. Thompson, que no seu primeiro dia de aula, parou em frente aos seus alunos da Quinta série primária e, como todos osdemais professores, lhes disse que gostava de todos por igual.

No entanto, ela sabia que isso era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um garoto chamado Teddy. A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheirando mal. Houve até momentos em que ela sentia prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.
,br>Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano. A Sra. Thompson deixou a ficha de Teddy por último. Mas quando a leu foi grande sua surpresa.

A professora do primeiro ano escolar de Teddy havia anotado o seguinte: Teddy é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos.Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.

A professora do segundo ano escreveu: Teddy é um aluno excelente e muito querido pelos seus colegas, mas tem estado preocupado com a mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar muitodifícil.

Da professora do terceiro ano constava a anotação seguinte: a morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Teddy. Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo. A professora do quarto ano escreveu: Teddy anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula.

A Sra. Thompson se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada.Sentiu - se ainda pior quando lembrou dos presentes que os alunos lhe haviam dado, envoltos em papéis coloridos, exceto o de Teddy, que estava enrolado num papel marrom de supermercado.

Lembra - se de que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas, ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco do perfume sobre a mão. Naquela ocasião Teddy ficou um pouco mais tempo na escola do que o de costume.

Lembrou - se ainda, que Teddy lhe disse que ela estava cheirosa como a mãe. Naquele dia, depois que todos se foram, a professora Thompson chorou por longo tempo.... Em seguida, decidiu- se a mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy.

Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava, e quando mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava. Ao finalizar o ano letivo, Teddy saiu como o melhor da classe. Um ano mais tarde a Sra. Thompson recebeu uma notícia em que Teddy lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida.

Seis anos depois, recebeu outra carta de Teddy, contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera. As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Theodore Stoddard, s eu antigo aluno, mais conhecido como Teddy.

Mas a história não terminou aqui. A Sra. Thompson recebeu outra carta, em que Teddy a convidava para seu casamento e noticiava a morte de seu pai. Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Teddy anos antes.

Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Teddy lhe disse ao ouvido: obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer diferença.

Mas ela, com os olhos banhados em pranto sussurrou baixinho: você está enganado ! Foi você que me ensinou que eu podia fazer diferença, afinal eu não sabia ensinar até que o conheci.